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É presente nos manuais de pesquisa de mercado a necessidade de se identificar o público alvo e os concorrentes diretos de uma marca. Há métodos e processos variados. Entretanto, ainda hoje, quando é crescente o fluxo de informações sobre o tema, ainda não é claro o papel desempenhado pelo produto consumido. Para além das críticas e preconceitos, é necessário entender as emoções e os valores do grupo consumidor para os produtos de que necessita.

O clássico etnógrafo Marcel Mauss, em seu Ensaio sobre a Dádiva, já havia descrito a organização de uma sociedade primitiva pautada nas trocas de objetos e, por consequência, nas trocas sociais. O texto é antigo e distante da sociedade ocidental, mas de forma análoga, cabe na análise do fluxo de produtos e os seus significados na vida prática.

Não é mistério para quem trabalha com marca, a necessidade da criação e gerenciamento de conceito. Isto diz respeito a tudo aquilo que a marca representa, almeja representar, e como fundamentará suas ações para captar clientes. Exemplos não faltam: a marca que recebe o cliente com som alto, vendedor despojado e cerveja na mão sabe bem qual consumidor quer atingir, pois seu conceito e o gerenciamento de suas ações foram projetados de forma a atrair um público que aprecie este estilo de vida. Por outro lado, uma joalheria que vise agregar a seu produto uma imagem refinada e clássica oferecerá um estilo de atendimento que traduza o conceito que pretende ratificar junto a clientes específicos. O mesmo serve para salões que oferecem champagne e mimos às clientes, barbearias destinadas ao público masculino que incluem sinuca em seu ambiente. . É um equívoco pesquisar o público e a concorrência e não traduzir seus objetivos em cada elemento possível de relacionamento com o cliente. Isto não quer dizer que um indivíduo que não se encaixe nos padrões definidos não deva ser bem recebido, mas o papel da marca é fundamentar suas ações num recorte ao invés de ficar à deriva.

É importante compreender que o consumo hoje tem relação direta com o que muitos chamam de necessidades da alma. Consumir determinado produto de um ou outro estabelecimento tem a ver com o que cada um vive, acredita. É uma escolha pautada em estilos de vida. Tem a ver com as relações sociais que cada indivíduo desempenha. Como defende Mary Douglas, esta prática está presente no cerne da organização social, estrutura identidades e valores; define mapas culturais. Captar esta ideia e aplicar nas pesquisas de comportamento e consumo, nas estratégias de mercado, em associação às mentes criativas brilhantes que o mercado nos oferece garante ações de sucesso perante o público.

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http://www.ideiademarketing.com.br/2014/03/20/consumo-marca-e-conceito/

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