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A despeito do fraco desempenho econômico e de um menor crescimento no consumo das famílias, o mercado e o varejo do Brasil continuam atraindo novos operadores em buscas de oportunidade de atuação.

Levantamento recentemente realizado pela BG&H Retail Real Estate, empresa coligada à GS&MD – Gouvêa de Souza, mostrou que mais de 40 novas marcas e conceitos entraram ou estão entrando no mercado brasileiro, ainda impulsionadas pela expansão do consumo e pelas perspectivas que os grandes eventos esportivos de 2014 e 2016 oferecem.

Os eventos esportivos globais, condições mais estruturais, tais como a idade média da população, as mudanças recentes na pirâmide socioeconômica, o período que continuamos a viver do bônus demográfico, o aumento da participação da alimentação fora do lar e, principalmente, o menor crescimento das economias mais desenvolvidas, têm atraído e renovado o interesse pelo mercado brasileiro.

Outro fator de atração é a maior participação de grupos globais desenvolvedores de shopping centers que têm promovido o país como mercado em expansão e mostrado o quão pouco concentrado são alguns setores do varejo no país, quando comparado com mercados mais maduros, e o fascínio que as marcas globais geram nessa população mais jovem e recém-integrada ao mercado de consumo.  Além do recente e marcante processo de formalização da economia que transformou o país num mercado mais atraente para operadores internacionais e onde a competição, ainda que mais acirrada, se tornou mais equilibrada e ética.

Dentre os setores com maior atratividade está o de food service, estimulado pelo aumento de consumo de alimentos fora do lar, que atrai marcas como Cheesecake Factory e P.F.Chang’s, trazidos pelo máster franqueado mexicano Alsea, ou o Eataly, conceito italiano que se tornou um dos destinos mais interessantes em Nova York para os turistas brasileiros.  E atrai também grupos japoneses, retomando sua presença no mercado de consumo, com operações como Sukiya.

Outros que estão retornando ao mercado depois de não terem se dado muito bem em sua investida anterior são o Friday’s e Dunkin Donuts, enquanto outros vêm pela primeira vez como Carl’s Jr, Olive Garden, Red Lobster, Quiznos, Chili’s, Benihana e Longhorn.

Algumas dessas marcas trazidas pelo máster franqueador IMC, braço dedicado ao food service do fundo Advent, reforçam o conceito de grupos operadores de diversas bandeiras e formatos que a partir da experiência comprovada ampliam seu portfólio de atuação.

Outro setor que tem atraído forte interesse é o da moda, com a anunciada chegada da Gap, Clarks, Claire’s e Desigual, dentre outras, algumas em sociedade com grupos locais, outras em contratos de máster franquia ou licenciamento.

A área da beleza e cuidados pessoais também tem sido alvo de atenção e foram anunciados o retorno da Lush e a entrada da Rituals, Body Shop e Benefit, esta última parte do grupo LVMH e que estará, pela primeira vez no mundo, operando através de franquias no Brasil.

As marcas da indústria também estão ampliando sua participação no mercado brasileiro com a Samsung expandindo suas lojas exclusivas, depois de ter testado o conceito de showroom e a de material esportivo Kappa.

Por origem de país, as marcas norte-americanas predominam, seguidas pelas da Inglaterra, Japão e Portugal e nos modelos de negócio existe uma preferência pelas máster-franquias ou contratos de desenvolvimento de mercado, sendo em menor número os investimentos diretos próprios e as joint ventures.

A perspectiva é que as transformações recentes no consumo do Brasil continuem a atrair novas marcas e conceitos para o mercado e, seguramente, outras virão se somar a essas mencionadas.

Porém sempre é bom recordar que o mercado brasileiro é particularmente característico em suas práticas e conceitos, extremamente competitivo e, mais recentemente, tem se tornado de difícil operação para formatos e marcas que dependam de importação direta de produtos, menos pelas questões tributárias e mais pela burocracia dirigida para criar dificuldades.

Mas isso é só parte do processo de aprendizagem que se equilibra com a inegável atratividade que nossa economia e mercado têm gerado. Essa aprendizagem gera cada vez mais alternativas para consumidores e aumenta o nível de concorrência, colocando mais desafios para os operadores locais.

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br) diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza. – 03/06/2013

http://www.gsmd.com.br/pt/artigos/momentum/brasil-atrai-novos-conceitos-e-marcas-de-varejo

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