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O brasileiro passou a comer cada vez mais fora de casa, tornando o país um dos maiores mercados para as redes de fast food no mundo. No ano passado os brasileiros consumiram o equivalente a R$ 60 bilhões no segmento, cerca de 60 milhões de refeições fora de casa todos os dias!

Além de recebermos redes de vários países do mundo, já exportamos nossas marcas. Redes como Spoleto, Giraffa´s e Bob´s já ostentam suas bandeiras em outros países. Mas são as marcas de fora que estão engrossando a lista de redes que querem crescer para valer no mercado brasileiro. Juntos, McDonald’s, Subway e Burger King inauguraram 600 pontos de vendas só no ano passado, um aumento de 23% em relação a 2011. Engrossam a lista a chegada recente de outros grandes players que estrearam recentemente por aqui.

Os portugueses do H3 e My Sandwich, passando pelos japoneses do Sukiya, os americanos com o Carl Jr., Quiznos, Hot Dog on a Stick e KFC, os suíços com o Not Guilty, entram na disputa pelos melhores locais nas praças de alimentação dos nossos shoppings e das principais ruas, com planos de expansão ambiciosos. Redes como o Burger King e Subway elegeram o nosso país como prioritário entre outros países no mundo. Chama a atenção de todos eles o fato do nosso mercado estar em franco crescimento, mas ainda ser muito fragmentado e pouco concentrado. O McDonald´s, líder do segmento, concentra apenas 8% do mercado.

A euforia do mercado de fast food se dá muito em função do crescimento do poder aquisitivo da população e da demanda por serviços de varejo de alimentação “fora de casa” pela nova dinâmica familiar e do mercado de trabalho. A próxima etapa deste movimento de  enriquecimento do brasileiro, do aumento do poder aquisitivo e da sofisticação dos hábitos de consumo do brasileiro é a chave para que as redes de “casual dining” – conceito que nasceu nos EUA na década de 60 e popularizou-se mundo afora – são os restaurantes que ocupam uma zona intermediária entre as lanchonetes populares e a gastronomia mais elaborada e, geralmente, fazem parte de grandes redes, oferecendo ambientes descontraídos, servindo uma comida com qualidade superior aos fast foods, a preços razoáveis.

Este mercado hoje é dominado por poucos operadores – onde o “Outback” reina soberano, apesar de ter apenas 41 unidades no país e o Applebee’s, o segundo do ranking, tem apenas 13. Mas este cenário promete mudar com as recém-anunciadas novidades no mercado. De olho nas perspectivas de um “boom” no setor, começam a chegar os grandes players mundiais. As recém-anunciadas entradas das redes PF Chang´s e Cheesecake Factory pela Alsea, Red Lobster, Olive Garden e LongHorn Steakhouse, todas pela IMC, dos coreanos BBQ Chicken, dos americanos Benihana e Johnny Rockets, e o muito aguardado italiano Eataly com seus 9 restaurantes internos, além das redes Chilli´s e TGI Friday que prometem reestreiarem em novas versões.

Lembrando também que já temos algumas redes por aqui há algum tempo, caso do inglês Ping Pong, dos americanos Hooters e PJ Clarke´s. Não podemos esquecer as redes nacionais como o America, The Fifties, Capital Steakhouse, Viena e Coco Bambu, entre outros, além do nosso maior divulgador da gastronomia brasileira o “Fogo de Chão”, hoje maior lá fora do que por aqui. Existem poucos dados neste segmento, mas estima-se que o mercado hoje fature pouco mais de R$ 400 milhões por ano, porém as perspectivas é que este número quintuplique nos próximos 10 anos, tornando o quinto maior mercado no mundo.

Existe, porém, alguns obstáculos para que todas estas redes cresçam no Brasil, a principal delas é a falta de área para a instalação de restaurantes a preços razoáveis. Uma equação difícil de resolver, tanto em ruas quanto em shopping centers. O mercado imobiliário brasileiro para varejo encontra-se em déficit de locais e os valores dispararam. Outra questão é a falta crônica de mão de obra no segmento que precisa de pouca qualificação, mas paga baixos salários. O turnover do segmento chega a 80% ao ano. Por último, a rentabilidade. A Arcos Dorados por exemplo, maior franqueadora do McDonald´s no mundo e representante da marca no Brasil, divulgou na semana passada seus resultados do ano.  O faturamento no País somou US$ 1,8 bilhão em 2012, um aumento de 11% sobre o ano anterior em moeda constante. Porém, no balanço da empresa, levando-se em conta a desvalorização média de 16,5% do real frente ao dólar, as receitas em dólar caíram 4,9%.

Marcos Hirai (marcos.hirai@bgeh.com.br), sócio-diretor da BG&H Real Estate.

Pontos Comerciais – 19 Mar 2013 – http://www.gsmd.com.br/pt/artigos/pontos-comerciais-i/a-vez-do-casual-dining

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