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Utilizando páginas de revistas velhas, a designer Adrienne Rabelo foi uma das cinco finalista do “oscar das bolsas”

 

Por Laura Artigas
Editora Globo

A designer mineira Adrienne Rabelo, 56, é fã da história da Cinderela. A metamorfose da gata borralheira em princesa é a metáfora que ela gosta de usar para definir seu trabalho. No final dos anos 90 ela resolveu dar vida nova aos restos que as confecções de moda jogavam fora, e desde então olha com carinho para o que boa parte das pessoas considera como lixo. Gosta de dar a ele status de matéria prima de primeira linha. Seu lema: “gosto de fazer do mínimo, o máximo”. Depois dos resíduos têxteis resolveu olhar de outra forma para as páginas de revistas velhas e delas surgiram a carteira feita de contas de papel resinadas, batizada de “flor da vida”. A peça foi uma das cinco finalistas da “Fifth Annual Independent Handbag Design Awards”, uma espécie de Oscar© das bolsas. Em entrevista a Marie Claire, Adrienne contou um pouco sobre seu trabalho, naturalmente sustentável.

Como surgiu seu interesse pela reutilização de materiais?
Nos anos 90 eu prestava consultoria para empresas de moda. Nessa vivência fui percebendo a quantidade de resíduos que era deixado de lado. Principalmente fitinhas de lycra e zíperes. Comecei a comprar esse refugo. A primeira peça que fiz foi uma bolsa com essas fitinhas e depois uma com as sobras de zíperes. Depois veio o couro, que hoje é minha marca registrada. Desenvolvi uma técnica em que componho o material como um mosaico. Aplico em bolsas e colares. Pretendo fazer coletes, e outras peças de vestuário.

Você sempre se preocupou com questões ligadas ao meio ambiente?
Sim. Em 1996 fui finalista de um concurso da Santista. Foi meu primeiro trabalho com enfoque ecológico. Na época pensei na devastação das Serras aqui em Minas Gerais. A proposta era trabalhar com jeans. Fiz uma jaqueta com um Globo Terrestre feita com técnica de tapeçaria nas costas.

E quando viu que as peças feitas de material reaproveitado poderiam ser um bom negócio?
Comecei a fazer um laboratório, e além das fitas e do zíper, tentei achar materiais inusitados para fazer outras peças. Em abril de 2001 fiz uma pequena produção e levei para os Estados Unidos. Um investidor ficou interessado e pediu que eu produzisse um mostruário completo. Contudo, com os atentados de 11 de setembro acabei adiando a exportação e resolvi mostrar meu trabalho na Francal (Feira de Calçados e Acessórios que acontece em São Paulo). E aí as vendas começaram aqui no Brasil. Em 2008 voltei aos Estados Unidos. Hoje vendo para lá e para outros países.

Como o papel entrou no seu repertório?
Eu comecei a olhar umas resistas antigas e um jornaleiro me ajudou e começou a guardá-las para mim. Fui juntando e separando as páginas coloridas e caixas branco e preto. Assim posso ter uma variação de cores. Precisei fazer uma grande pesquisa para a impermeabilização da carteira para garantir sua durabilidade e também deixá-la com um visual moderno.

Além da utilização de materiais você leva em consideração o processo produtivo?
Eu tenho uma fábrica, e costumo terceirzar o trabalho para artesãs de comunidades carentes, organizações de Igrejas e presidiárias, como foi o caso da bolsa finalista no “Fifth Annual Independent Handbag Design Awards”.

E como guardar tanto material?
(Risos) É, o “lixo” vai tomando conta dos espaços, eu já estou de olho em uma salinha para guardar minha matéria prima.

http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI246669-17594,00-DO+LIXO+AO+LUXO.html

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