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Que o Brasil é o país da vez, todo mundo sabe. O que mais se ouve ultimamente é que BRIC – a sigla que define os países em destaque no que diz respeito ao desenvolvimento econômico – começa com Brasil (seguido por Rússia, Índia e China). Mas o que a economia criativa tem a ver com tudo isso? Aliás, você sabe o que é economia criativa? É a que não se produz com matérias-primas perecíveis – como petróleo, minerais, gás –, mas sim com valores intangíveis, como marcas, design, criatividade e conhecimento.

O movimento começou na Inglaterra, em 1997, durante a gestão do primeiro ministro Tony Blair, como uma estratégia de crescimento que envolvia inicialmente treze setores, com temas tão diferentes quanto design, moda, branding, publishing, fotografia, software, televisão, games. “Na época, a manufatura havia migrado para a Ásia e ficava cada vez mais claro que as áreas que geravam emprego para os jovens e agregavam valor para as empresas eram aquelas ligadas à criatividade e à inovação”, diz a economista Lídia Goldenstein, que fez parte do grupo de profissionais que organizou, junto com o InMod (Instituto Nacional de Moda e Design) e com a Luminosidade, organizadora do SPFW, o primeiro salão Design São Paulo.

Um dos objetivos do evento, que aconteceu na Oca, no Parque do Ibirapuera, e terminou neste domingo, dia 19 de junho, era exatamente estimular o mercado brasileiro de design e reforçar o conceito de economia criativa. “Fazer o evento ao mesmo tempo em que acontecia a semana de moda foi a melhor maneira de juntar um caldo criativo”, explica Lídia. “O SPFW, aliás, trabalha desde o início esse conceito de economia criativa, gerando emprego e valor dentro dessa visão”.

Embora só agora o tema esteja na vitrine, a discussão já existe no Brasil há cerca de cinco anos e culminou com a criação da Secretaria de Economia Criativa pela ministra da Cultura, Ana Holanda, no início deste ano. O próximo passo, segundo Lídia, é qualificar a população para enxergar nesses setores empregadores com capacidade de inserção social. “Que o brasileiro é altamente inovador, todo mundo sabe. Mas isso não é suficiente. Falta desde educação formal até acesso a cultura para tornar um projeto como este viável”.

Para Lala Deheinzelin, senior advisor do Programa de Economia Criativa da ONU e membro do In-Mod (Instituto da Moda), sustentabilidade e inclusão social são os alicerces da economia criativa. Embora a grande mudança de paradigma passe pela educação, há outro desafio, não menos estratégico: fazer com que setores tão diferentes quanto indústria, tecnologia e cultura, por exemplo, se aproximem e troquem experiências. “Como conseguir essa visão transdisciplinar tanto no setor privado quanto no público é hoje a nossa grande questão”, diz Lala. A indústria têxtil, por exemplo, só vai deixar de ser vista como tradicional quando usar a criatividade como sua maior ferramenta. Nada melhor, portanto, do que usar a vitrine aberta pela moda e trazer para ela outras frentes criativas, como aconteceu com o design.

 
 

http://modaspot.abril.com.br/news/economia-criativa-o-desafio-do-futuro

 

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