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Pela primeira vez, os brasileiros se viram envolvidos em um suspense policial novelesco. O mistério durou cinco meses, mais da metade da novela, que esteve no ar de dezembro de 1977 a julho de 1978. Foi com o assassinato do industrial libanês Salomão Hayala (Dionísio Azevedo, agora Daniel Filho) que nasceu o bordão “quem matou?”, retomado anos depois em Vale Tudo, com a morte de Odete Roitman. O assunto ganhou a primeira página dos jornais e revistas da época, e inspirou toda sorte de especulações. Na trama original, coube a Felipe Cerqueira (Edwin Luisi, agora Henri Castelli), jovem amante de Clô Hayala (Tereza Rachel, agora Regina Duarte), esposa de Salomão, ser o algoz. No capítulo 42, ele golpeia o industrial na cabeça com um revólver e entra para a história da dramaturgia.

Nem as senhoras mais recatadas se sentiram ofendidas com a nudez de Tony Ramos. Não que a visão fosse deslumbrante, já que recoberta de pelos, mas a forma como o primeiro nu masculino chegou às telenovelas brasileiras teve ares de purismo e santidade. O folhetim, de direção de Daniel Filho e Gonzaga Blota, teve o cuidado de associar a cena aos gestos de São Francisco de Assis. Márcio Hayala (Tony Ramos, agora Thiago Fragoso) se despe e entrega as roupas ao pai após renegar sua herança, tal qual o religioso italiano. A câmera percorre apenas a lateral do corpo de Hayala, enquanto ele sai às ruas completamente sem roupa. Uma cena simbólica e de bom gosto, na opinião de especialistas

 Avanço das mulheres

Os padrões de boa moça e heroína foram colocados à prova com a personagem de Elizabeth Savalla (agora Alline Moraes), a espevitada taxista Lili. A autora Janete Clair tratou, com ineditismo em horário nobre, do avanço feminino no mercado de trabalho. Não era comum ver mulheres ao volante na época, ainda mais uma protagonista de novela. Janete também foi pioneira no tratamento da saúde íntima da mulher, ao mostrar a mãe de Lili, a dona de casa Consolação (Eloísa Mafalda, agora Selma Egrei), na menopausa. O tema logo se transformou em um dos assuntos mais comentados da época. O seriado Malu Mulher, conhecido como marco da temática feminina, só iria ao ar um ano mais tarde, em 1979.
 
O próprio nome da novela traz em si um convite ao desconhecido. O Astro conduz pela primeira vez os telespectadores ao mundo da magia e esoterismo, através de seu protagonista, o vidente Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco, agora Rodrigo Lombardi). Um homem misterioso, que intriga os mais crédulos pelos aparentes (e questionáveis) truques e poder de adivinhação. O turbante do personagem virou sua marca registrada e será usado também na releitura da novela, que vai ao ar em 12 de julho. Além da capacidade de prever acontecimentos, o ator Rodrigo Lombardi acrescentará um dom ao seu Herculano: o de fazer mágicas em cena.
 
 
A magia de Herculano (Francisco Cuoco, agora Rogrido Lombardi) seria uma novidade por si só, se o caráter desonesto do personagem não tivesse impulsionado a sua ascensão social na trama. Ao mesmo tempo cínico e encantador, o personagem de Cuoco foi o primeiro anti-herói a subir na vida graças à arte das falcatruas. Ele tenta dar um golpe nos moradores de uma cidade pequena, é preso e se descobre um vidente (ou charlatão). De cartomante numa churrascaria, Herculano passa a braço direito do libanês Salomão Hayala (Dionísio Azevedo, agora Daniel Filho), importante empresário industrial. A história do personagem foi baseada na trajetória do ex-ministro do Bem-Estar Social da Argentina, Luiz Lopez Rega, conhecido como El Brujo, influente na administração do ex-presidente argentino Juan Domingo Perón.
 
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