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O centro cultural do Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro está abrigando atualmente a exposição “Saul Steinberg: as aventuras da linha”, com 111 desenhos do consagrado artista gráfico e cartunista, a maior parte deles pertencentes ao acervo da The Saul Steinberg Foundation. A mostra apresenta obras produzidas entre as décadas de 1940 e 1960. Para essa exposição, 43 trabalhos foram restaurados. Na tarde de abertura, no IMS-RJ, os cartunistas Ziraldo e Jaguar e o designer gráfico Kiko Farkas participarão de uma mesa-redonda para debater a importância da obra de Steinberg, com lugares limitados.

   Divulgação

Um dos 111 trabalhos de Saul Steinberg

Em “Saul Steinberg: as aventuras da linha” serão apresentadas obras que destacam o momento em que Steinberg se torna um artista internacional. Para isso, foram escolhidos trabalhos que fizeram parte de três importantes exposições: a primeira, Fourteen Americans, coletiva organizada pelo MoMA, em 1946; a segunda, uma mostra individual inaugurada em Nova York, em 1952, nas galerias Sidney Janis e Betty Parsons; e a terceira, uma exposição montada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp), também em 1952.

Saul Steinberg ficou conhecido por, usando às vezes uma única linha, questionar em seus desenhos o papel das rotinas, a vida que levamos. Esses desenhos serão exibidos na mostra do IMS-RJ em seus suportes e dimensões originais, que muitas vezes divergem das versões publicadas em revistas e livros. A exposição revela ainda um pouco da lógica do trabalho do artista: o aspecto “serial” de sua criação. “Steinberg costumava trabalhar um tema ou motivo até esgotá-lo, produzindo longas séries de variações gráficas”, explica a curadora Roberta Saraiva. A mostra reúne, portanto, um número generoso de cowboys, trens, monumentos fictícios, pássaros, gatos e bichos sem nome, mulheres em casacos de pele, desfiles, desenhos de arquitetura, bombardeios e falsos documentos (passaportes e diplomas com assinaturas ilegíveis, selos e carimbos que Steinberg colecionava).

Editora Globo

A exposição chega a São Paulo após temporada no Rio

Em Saul Steinberg: as aventuras da linha, também serão expostos os desenhos murais que o artista criou para a Trienal da Milão, de 1954. São quatro desenhos em rolos de papel em formato ousado e proporções arquitetônicas que até então nunca foram expostos em conjunto: A linha, com 10 metros de comprimento, Tipos de arquitetura, com 7 metros, Litorais do Mediterrâneo, com 5 metros, e Cidades da Itália, com 3 metros. Todos possuem cerca de 45 cm de altura. Também integram a mostra dois trabalhos com inspiração brasileira: Pernambuco, uma mistura de personagens, bichos e motivos locais; e Grande Hotel de Belém, ambos realizados não propriamente no Brasil, mas a partir de desenhos de anotação e de cartões-postais colecionados por Steinberg durante uma viagem pelo país em 1952.

A exposição Saul Steinberg: as aventuras da linha ficará aberta ao público no IMS-RJ até 21 de agosto, e depois segue para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, estreiando no dia 3 de setembro.

Essa será a segunda vez que a obra de Steinberg será exposta no Brasil. Em setembro de 1952, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) inaugurou uma exposição individual do artista, com um extrato da mostra inaugurada em Nova York, em janeiro do mesmo ano, nas galerias Sidney Janis e Betty Parsons. A vinda da obra de Steinberg ao Brasil na década de 1950 foi possível pela amizade do artista com Pietro Maria Bardi, então diretor do Masp, e os irmãos Cesare e Victor Civita. Bardi, assim como Steinberg, havia colaborado, na década de 1930 com a revista Il Settebello, quando ambos ainda moravam na Itália. É dessa época também a aproximação de Steinberg com os irmãos Civita, que atuavam no mercado editorial italiano. Anos mais tarde, Cesare se tornou agente de Steinberg. Foi ele quem agenciou as primeiras publicações de desenhos de Steinberg em revistas, como a The New Yorker. Foi devido a Cesare também que a revista carioca Sombra publicou uma seleção de desenhos de Steinberg, reproduzidos na capa e no miolo do seu primeiro número, em 1940. Foi a primeira revista do mundo a publicar um desenho de Steinberg na primeira página.

Revista Marie Claire

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