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Durante a última edição da Denim Première Vision, realizada nos dias 25 e 26 de maio, em Paris, 7 representantes do setor se reuniram com os visitantes para uma conversa informal sobre o futuro do denim. A redução do consumo de água e a sustentabilidade da agricultura foram consideradas os 2 grandes desafios. “Estamos vivendo uma revolução, não somente uma mudança”, destaca Enrique Silla, criador da Jeanologia. Para ele, a indústria do jeans ainda utiliza energia e químicos como há 200 anos, o que é ecologicamente insustentável.


Mesa completa: Marco Lucetti (Isko), Enrique silla (Jeanologia), Alberto Candiani (TRC Candiani), Adriano Goldschmied (AG), François Girbaud (Marithé+François Girbaud), Neil Bell (Levi´s), Samy Bziou (Denim Authority) e John Mowbray (Eco Textile News)

 A redução da água começa com a limitação do índigo no tingimento da fibra, um tema bastante delicado entre os produtores de denim. “Existem opções ao índigo, mas ninguém fala nisso”, destaca Stefanie Nehlsen, porta-voz da Clariant, 1ª indústria química a participar em uma edição da feira. A empresa lidera a tecnologia Pad/Sizing Ox process, um processo de tingimento de fibras de algodão que dispensa o uso de índigo. O resultado é uma sarja bastante similar ao jeans, com as mesmas possibilidades de acabamento.

O 2º passo para economizar água é a busca de soluções de acabamento que dispensem o uso de químicos. “Quando começamos a fazer o material, não conhecíamos as consequências do uso desses produtos para o meio ambiente”, lembra François Girbaud, da Marithé+François Girbaud. O desafio agora é fazer o que já se sabe, porém com outra tecnologia. “Curiosamente, é nas lavanderias e na indústria de acabamento que mais se avançou nesse sentido”, lembra Adriano Goldschmied. Entre as principais alternativas estão os acabamentos a laser e à base de ozônio. Atualmente, 10% do denim mundial utilizam laser no acabamento. Estamos falando de 600 milhões de pares de jeans. “No futuro, não vamos mais usar água”, aposta Enrique Silla.

Além de reduzir a água utilizada na produção e de limitar o uso do índigo, indústrias como Candiani, Tejidos Royo, Isko e Tavex apostam na reciclagem do seu próprio lixo industrial: o que sobra se transforma novamente em fibra e novamente em tecido. Na Candiani, 30% do algodão utilizado na produção vêm da reciclagem.  “O problema é que ainda existem diferentes regras para diferentes partes do mundo”, lembra Alberto Candiani. Essa diferença se reflete no preço do produto final, que apesar de estar sendo produzido com menos gastos, requer um grande investimento em tecnologia.  Para estimular o reaproveitamento, Goldschmied propõe a criação de centros de reciclagem, onde o consumidor possa trocar seu velho jeans por crédito na compra de um novo. Atualmente, diz ele, 15% da produção mundial vão parar no lixo. “Tem muito marketing em cima da produção ecológica, mas poucas medidas concretas”, sentencia.

Nesse sentido, o uso do algodão orgânico foi deixado em outro plano. “O consumidor final não entende o tecido ecológico da mesma maneira que entende a comida ecológica”, lembra o mediador do debate John Mowbray, editor da Eco têxtil News e co-fundador da ONG Rite (Reducing the Impact of Textiles on the Environment). Além disso, ele destaca que a produção orgânica não trabalha ainda com critérios certificados para o controle do uso da água, o que iria em sentido contrário ao que buscam os novos rebeldes do denim.

Foto: UseFashion  – 30/05/2011 – 11:29

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