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Curitiba é considerada hoje uma das cidades mais emblemáticas do planeta. É interessante, mas até meados da década de 1970, era o patinho feio do sul – apenas uma fria cidade dormitório para turistas rumo à ensolarada Santa Catarina ou Foz do Iguaçu. O trabalho de posicionamento foi magistral e considerou a estratégia UMPC (Um Monte de Pequenas Coisas).

Uma das frentes importantes para a construção do município como marca sexy, foi a cultura. Com a reinauguração do Teatro Guaíra, em 1974, muitas produções teatrais foram estimuladas a fazer sua estreia na cidade. Com o tempo e com a prática, o público local adquiriu a aura de exigente e mais estreias se seguiram. Esta aura estendeu-se para o universo de consumo e marcas passaram a fazer pré-testes de produtos na cidade. O Teatro Guaíra foi indubitavelmente uma peça importante desta arquitetura de marca, ao estimular a produção cultural por meio do Balé Teatro Guaíra, da Orquestra Sinfônica do Paraná e da montagem de diversos espetáculos líricos como Fausto, Don Giovanni, O Barbeiro de Sevilha, entre muitos outros que contaram com grandes cantores em suas produções. A afinidade com a cultura abriu espaço para o Festival de Teatro de Curitiba, talvez o mais importante do cenário nacional, concentrando em uma semana diversas estreias nacionais.

Outra frente importante no projeto de construção da marca da cidade foi a organização do urbanismo inaugurando soluções inéditas como as estações tubo, vias exclusivas de ônibus, diferentes anéis viários e sistemas de transporte com diferentes tarifas. Esta estratégia urbana sedimentou a organização no município, criou simplicidade para os habitantes e turistas, velocidade no transporte e influenciou cidades do mundo inteiro.

E fechando o tripé estratégico, a valorização de espaços públicos comuns estimulou a criação de diversos parques na cidade, fomentando ações sinérgicas com sustentabilidade muitos anos antes do movimento ser considerado uma obrigatoriedade. Neste tripé foram reservadas algumas “cerejas do bolo” – projetos emblemáticos como a Ópera do Arame, o Museu Oscar Niemeyer e a estufa do Jardim Botânico, que da mesma forma que um produto conceitual comercializado por uma marca de consumo, reiteram vanguarda e inovação em sua promessa.

São muitas as lições de construção de marca de Curitiba: os movimentos de uma marca devem ter várias frentes, devem ser relevantes para o público-alvo, uma marca não pode parar nunca de se reiventar, os novos movimentos devem aprofundar o caminho escolhido e marcas devem deixar rastros que tenham significado em seu caminho. […]

Postado por Beth Furtado – Consumo e Inovação – 23/05/2011 http://www.mundodomarketing.com.br/18859,70,blogs,branding-de-cidades-curitiba.html

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