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 O costureiro Pierre Cardin, 88 anos, está no Brasil, desde domingo, dia 24, para a abertura da exposição “Pierre Cardin – Criando Moda Revolucionando Costumes”, evento que comemora 60 anos de sua carreira. Na segunda-feira, dia 25, o estilista italiano e naturalizado francês concedeu entrevista a Jô Soares, na Rede Globo. Na ocasião, contou que começou sua carreira aos 20 anos, trabalhando com Christian Dior. Ele revelou também que na adolescência sonhava em ser ator e bailarino, e também falou sobre seus trabalhos no teatro, no cinema, em restaurantes e como decorador de hotéis. […]

Sobre a moda brasileira, ele declara: “Agora, a mulher brasileira é internacional. Não existe mais a moda nacional. No passado, haviam dificuldades, viagens muitos longas”, opina, confirmando o encurtamento entre as tendências do hemisfério norte e do Brasil.

Trajetória

Natural de Veneza, Norte da Itália, mudou-se para a França com seus pais, aos 2 anos. Depois de trabalhar para Dior, poderia ter aceito o convite de Coco Chanel, mas preferiu investir na própria grife. Com atitutes ousadas, foi o pioneiro em diversos segmentos da moda, como, por exemplo, em apresentar um desfile com modelos masculinos.

“Não tinhamos o hábito de ver coleções para homens. A Inglaterra era a líder em moda masculina, assim como a Itália, pela qualidade dos tecidos e dos materiais. Apesar de ser italiano, quis provar que a França também podia criar moda masculina. Telefonei para as universidades de Paris e pedi que me mandassem estudantes. Lancei no mercado mundial esses estudantes que vieram apresentar minha coleção,” conta.

Pierre Cardin foi também um dos primeiros a introduzir o conceito de moda unissex e apostar no mercado prêt-à-porter, o que, na época, foi um escândalo, afinal como alguém da alta-costura poderia fazer prêt-à-porter? “Resolvi vestir as multidões, o público das lojas de departamento”, revela. Após lançar sua 1ª coleção ready-to-wear para a loja de departamentos Printemps, foi expulso da Chambre Syndicale de la Haute Couture, mas readmitido pouco tempo depois. “Corri o risco de destruir minha carreira”, relembra.

Entusiasta da tecnologia têxtil, sempre apostou em materiais diferentes, como látex e vinil. Chegou até a desenvolver seu próprio tecido, batizado de “cardine”, feito de fibras sintéticas que permitiam o trabalho de modelagem tridimensional. Ele ainda confessa adorar a cor verde e ser vegetariano.

Serviço: A exposição “Pierre Cardin – Criando Moda Revolucionando Costumes” será aberta ao público, de 29 abril a 29 de maio (terça a sábado, das 12 às 21 horas, domingos das 14 às 20 horas), no Shopping Iguatemi de São Paulo (Av. Brig. Faria Lima, 2232, 9º andar, Pinheiros).

Fotos: Ricardo Martins/TV Globo e Reprodução – 26/04/2011 – 13:20
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