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Parece cena de cinema. Essa foi a impressão que a maioria das pessoas teve no lançamento da novela “Cordel Encantado”, que a Globo estreia hoje no horário das seis. A trama pode ser resumida em amostra da história de realezas europeias e nordestinos que se fundem em lendas heroicas como nos poemas e nas prosas da literatura de cordel feita na Europa, na Idade Média.

O romance da mocinha com o mocinho será o foco em discussão como sempre escrito nos roteiros. Mas esse enlace de desejo e amor terá como pano de fundo o envolvimento de pessoas que têm estilos de vida diferentes e estão em extremos opostos do mundo.

A realização da novela era um sonho guardado há muito tempo pelas autoras Thelma Guedes e Duca Rachid, que foi lapidado para que todos os detalhes dessem certo. “Queremos fazer com que o público das seis sonhe e viaje ao mundo dos reis e das rainhas, às suas elegâncias e aos seus poderes. Mas também que veja as dificuldades do cangaceiro, o povo nordestino que retrata a sua difícil trajetória nas rimas”, explica Thelma.

A autora também lembra que momentos históricos e religiosos como a remissão a São Francisco de Assis e a Guerra de Canudos serão identificados na trama, que percorre dos magníficos castelos do Vale do Loire, na França, até o nordeste sergipano, onde nascerá o romance do casal Açucena (Bianca Bin), uma cabocla brejeira criada por lavradores no nordeste do Brasil, sem saber que é a princesa do reino europeu, e Jesuíno (Cauã Reymond), um jovem sertanejo que desconhece ser filho legítimo do cangaceiro mais famoso da região, Herculano (Domingos Montagner).

As histórias de heroísmo, amor, intriga e sonhos se darão no circuito das cidades fictícias Seráfia do Norte e Seráfia do Sul, que há centenas de anos vivem um conflito que não parece mais acabar. A cisão entre os reinos acontece após uma revolução popular. Por outro lado, Brogotó, a cidade nordestina dos cactos e dos cangaceiros, será cenário de recepção para os reis.

PROFECIA
José Celso Martinez, um dos principais dramaturgos e encenadores do teatro brasileiro, terá participação relâmpago em “Cordel Encantado”. Ele será o oráculo e grande conselheiro do rei de Seráfia do Norte, Augusto (Carmo Dalla Vecchia), ajudando-o a desvendar sonhos. “Sinceramente não gosto de novela, mas a Globo me convidou para esse trabalho e resolvi aceitar para viver a experiência, que foi exaustiva devido ao frio que passamos na França, mas compensadora pela produção”, explica o dramaturgo.

E já que sonho é a palavra forte da novela, o pregador Miguézim (Matheus Nachtergaele) terá alguns muito loucos e medonhos envolvendo o sertão nordestino. “Ele é um homem muito simples, um beato que as pessoas gostam, mas o acham um místico louco. Estou me concentrando para vivê-lo e acho que será espetacular”, detalha o ator.

Comédia, profecias e imagem diferenciada
Esse será um trabalho de dramaturgia que promete surpreender com detalhes que podem fazer a diferença no produto final. Primeiro será na qualidade da imagem, tendo a novela como a primeira produção gravada em 24 quadros, o que proporciona uma visibilidade com textura diferente, dando a impressão de estar assistindo a um filme.

O diretor de núcleo Ricardo Waddington e a diretora-geral Amora Mautner apostaram na mistura de atores e atrizes com largo histórico profissional como Deborah Bloch, Claudia Ohana e Guilherme Fontes, com jovens como Bianca Bin. Cauã Reymond trocará suas experiências de cerca de dez anos como ator com a sua parceira Bianca Bin, que viverá sua primeira protagonista. “Estamos tendo uma química boa para fazer o par romântico”, explica o ator.

Luiz Fernando Guimarães, que se sente à vontade para contracenar com Deborah Bloch por já terem atuado juntos em outros momentos, comenta sobre o seu personagem, o mordomo Nicolau Bruguel, grande comparsa e amante de Úrsula (Deborah Bloch) da corte de Seráfia do Norte.

segunda-feira, 11 de abril de 2011 7:01

Kelly Zucatelli – Do Diário do Grande ABC

http://www.dgabc.com.br/News/5878411/rimas-de-reis-e-sertanejos.aspx